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segunda-feira, 25 de junho de 2007

O mal toca à campaínha e nós, o que fazemos?



Existiram tempos em que o Homem temia as forças do mal, como tal estudou-as, conheceu-as e soube defender-se. O Homem? Não, não como um todo! Mas existiam os eleitos, escolhidos que eram conhecedores e protegiam os demais.

A Igreja, a de então não a que temos hoje em dia, era terreno fértil para esses homens. Eles não se limitavam a proteger-se, ou aos vizinhos! Não!
Protegiam a humanidade, a Terra, do mal.

Na sua busca pela sabedoria em relação ao mal descobriram coisas inimagináveis, inacreditáveis!
Descobriram entre outras coisas que o badalar de um grande sino produz ondas que repelem o mal, impedem a sua chegada, o seu avanço. Como as ondas do mar devolvem o lixo ao areal.

Como expliquei a igreja estava repleta de eleitos, eles colocaram um sino em cada igreja.
Esse sino como todos sabem toca de meia em meia hora ( ou de quarto em quarto de hora). Além disso toca de forma mais exuberante em certas ocasiões (cerimónias, óbitos ou emergências).

Não preciso explicar-vos mais nada, pois não? A Terra estava assim coberta por um manto protector do mal, sendo essa protecção aumentada quando necessária, quer por quantidade (maior número de badaladas), quer por qualidade (sequência de diferentes sons).

A questão é apesar de tudo um pouco mais complexa do que eu descrevi. O efeito protector dos sinos não está apenas no som, nem tão pouco da vibração. A versão que me chegou está ainda confusa, mas parece que o efeito protector baseava-se no conjunto som/vibração/movimento pendular do sino/pancada do badalo.

Pois é, esses eleitos já há muito deixaram este plano sem sucessores, ainda não se sabe porquê.
Desapareceram, mas deixaram um legado protector. Os sinos.

Dos antigos mecanismos protectores, apenas os sinos eram universais. O seu uso estava disseminado e não necessitava de um eleito para o manusear.
Fantástico, um escudo automático.

Não sei se repararam, mas eu tenho-me referido a este efeito protector no passado! Também me pergunto se já repararam que o mundo está cada vez pior.
Dir-se-ia que o efeito protector dos sinos já não funciona...Pois, é verdade, o escudo foi-se!

Porquê? Como toca um sino hoje em dia? Com o movimento pendular e pancadas do badalo? Errado. Com marteladas programadas! Reparem na foto do sino e admirem o martelo do lado direito. Na nossa ignorância destruímos o trabalho e o conhecimento dos sábios de outrora!
Pior, condenamo-nos! Será que os sinos foram a nossa única destruição da sabedoria antiga, ou é apenas uma entre muitas? Que outras cagadas teremos nós cometido na nossa imensa ignorância?

O mal toca à campaínha e nós, o que fazemos?
Abrimos a porta para trás e estendemos a carpete vermelha.

As fotos foram tiradas de noite, sem tripé nem sistema de estabilização. Peço-lhes que agora que já leram, que percam uns segundos a admirar as fotos, principalmente a do sino.

sábado, 9 de junho de 2007

A barreira maldita.



Estou de fora, a barreira impede-me de aceder ao paraíso. Já tentei rompê-la incontáveis vezes, não desisto, mas há muito que não tento.

Posso apenas admirar a beleza das musas com suas túnicas roxas. Queria tê-las, possuí-las.

Não posso entrar, dizem-me que se lá entrasse destruiria o jardim, conspurcaria a beleza. Digo que não, mas sei que sim. É o meu propósito, é o meu motivo de querer lá entrar!
Aproveitar-me, rebolar, esgaçar, abusar. Até este e o outro lado serem um só! Caos, único e igual. Não sei qual o maior prazer, se a violação do paraíso, se a contemplação do resultado de tal acto.

Não entrei, não consigo, a barreira não me deixa passar. Porém "entrei", não atravessei a barreira, mas lancei a semente. A "serpente" surge por entre as musas, corrompendo lentamente o jardim. Podem vê-la no centro, por entre o elo da barreira, o único que surge completo.

A degradação começou, lenta, insidiosa. Tudo será destruído. A culpa não é minha. É da barreira, de quem a colocou, de quem não a retirou! Maldita, malditos!

Eu queria uma destruição rápida, ruidosa, explosiva, rompante.
Eu queria raiva, ódio, luxúria. Tenho que me contentar com vingança, inveja, ciúmes.
O resultado, esse, é o mesmo. O caminho é que é outro.
Os fins justificam os meios? Talvez, eu preferia outros meios. Maldita barreira.

Nota: para quem não sabe, a planta que serpenteia no meio da imagem é uma silva. Planta daninha com picos que invade todo um terreno, sobrepondo-se a toda a vegetação.